Publicado por: Malu em: 2009/06/18
Sempre que eu fazia alguma bobagem, eu pedia desculpas pro Ruben ou pelo menos tentava. Mas ele sempre me olhava tão feio que, às vezes, eu achava que ele achava que morar comigo era como esperar diariamente por um atentado terrorista. Muita tenso.
Ao contrário de mim, que passava a maior parte do tempo cantando, tentando fazer miojo, pintando as unhas de vermelho e mudando alguma coisa de lugar, ele passava muito tempo calado, trancado no quarto ou, então, sentado na sala me observando de canto de olho. Isso quando não tentava me explicar as dinâmicas de se viver coletivamente. Até parece que eu precisava de orientação. Eu sei fazer tudo e qualquer coisa. Sou descolada. Pelo menos, era o que o meu último namorado dizia. Ok. Eu concordo que último namorado não é referência pra nada. Mas que ele dizia, ah, ele dizia!
Falando em relacionamento, nunca ouvi o Ruben falar sobre suas namoradas. Mas também eu confesso que nós não conversávamos muito até aquele momento. Geralmente, a gente só tentava alguma comunicação quando um de nós estava bêbado.
Num desses dias em que ele chegou em casa de porre, caiu no sofá, colocou pra tocar o álbum favorito dele – Pulse, do Pink Floyd, gritou pelo meu nome e disse que nós precisávamos conversar. Eu achei estranho, mas me aproximei:
___ Não se faça de MALUca. Responda. Onde está a minha Monalisa?
___ Eu lá sei das suas mulheres.
___ E quem falou de mulher?
___ Você.
___ Eu não falei de mulher. Eu falei do meu álbum do Pink Floyd.
___ A sua Monalisa eu num sei onde tá e o seu maldito álbum tá tocando agora. Você num tá ouvindo? Tá surdo?
___ E como isso aconteceu?
___ O quê?
___ Como o álbum reapareceu sem eu perceber?
___ O álbum num reapareceu. Ele sempre esteve no mesmo lugar.
___ Mentira. Você queria levar a minha Monalisa.
___ Escuta aqui….eu nem de mulher gosto. Num sei quem é essa tal de Monalisa. E tô pouco me importando com os seus álbuns.
Foi então que o Ruben começou a rir sem parar. E eu nada mais entendi. Ele ria e me olhava, e ria, e me olhava, e, às vezes, me olhava e ria tudo junto. Eu desisti de tentar conversar e fui saindo da sala. Mas quando eu me afastei, ele gritou meu nome mais uma vez:
___ Maluuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
___ que é?
___ Eu gosto dos seus tornozelos.
Essas foram suas últimas palavras, antes de dormir profundamente até a manhã seguinte, num sofá amarelo, coberto com um tecido indiano, que eu comprei na 25 de março.
2009/06/23 às 01:02
Toc, toc, toc. Com licença! Entrei e adorei! Beijoequeijo pra vocês!