Publicado por: Ruben em: 2009/06/24
Costumo passar o dia fora. Mochileiro precisa de resistência e meu exercício, para conseguir o mínimo, é rodar pela cidade. Visito alguns poucos amigos e conhecidos, as vezes dou uma passada na frente do escritório do chefe (do país) e, quando dá, estico até Águas Lindas (não sei o que vejo ali, acho que o nome tem alguma força magnética – ou hidráulica). O importante é estar em movimento.
Movimento não parece ser algo que faça parte do dicionário de bolso da minha parceira de apartamento. Quase todas as vezes que passo muito tempo fora, quando chego, ela está em casa. Seja pela manhã, tarde, noite ou madrugada. A vantagem é que funciona como uma equipe de vigilância. Uma pena é reconhecer minha ilusão quanto a isso.
O interessante é que mesmo tendo esse hábito de se manter em casa, a Malu some. Simplesmente desaparece. Passa dias fora e quando retorna, com cara de que foi abduzida, ela juntou muita coisa pelo caminho. Chega cheia de sacolas, caixas, pacotes e, as vezes, até com caminhões abarrotados de coisa. Um dos retornos triunfantes dela foi depois de um ‘pulinho a São Paulo’ – como ela mesma disse.
Nesse dia, não sei por sorte ou azar, estava em casa quando escutei o som de um caminhão estacionando lá em baixo. Em seguida aquele barulho inconfundível de salto alto arrastando no piso, seguido de muito burburinho. No meio de toda quela barulheira eu reconheço a voz da Malu. Do pouco que deu para ver e ouvir pela janela, ela estava atuando de manobrista de sofá. Os funcionários da transportadora sofriam muito mais com a zoada e alvoroço da Malu que com o peso da mobília.
Notei que muita gente do condomínio deu notícia da chegada daquele sofá amarelo-núcleo-do-sol, pois a comitiva de recepção estava nas janelas e varandas, convidados por notas que ecoavam pelas paredes dos blocos. Quando a barulheira se aproximou da porta eu fui abrir e tentar ajudar, para que toda aquela peregrinação tivesse um final feliz para todos. Já era tarde, algum desastre já acontecera, pois enquanto caminhava até a porta, o som de plástico se espalhando pelo chão, era acompanhado de gritos de socorro e pancadas secas nas paredes. Por fim, uma forte batida do outro lado da porta serviu de deixa para uma avalanche de xingamentos dos mais cabeludos, alguns capazes de render excomunhão.
____ (…) aquele chato idiota nunca está em casa. Não serve nem para abrir a porcaria dessa porta.
Foram as palavras conjuradas no mesmo instante em que abri a porta, fazendo a Srta. Boca Suja bater outra vez com a cabeça, só que agora no chão, aos meus pés.
____ Bom dia, Malu.
2009/06/24 às 23:11
Estou simplesmente encantada com a história, principalmente por ver vários detalhes da Malu em mim (com a diferenças que as minhas unhas são francesinhas =x)
enfim… estou aguardando o início do romance! \o/